Médica dermatologista, referência na cidade natal, compartilha a jornada de superação que a levou de Ipuiúna ao sucesso, mantendo o acolhimento do interior no coração da sua Medicina.

Dra. Rafaela: “Carrego Ipuiúna no coração porque, de muitas formas, Ipuiúna me carregou primeiro.”

Jornal das Gerais (JG): Para iniciarmos, sempre começamos com uma pergunta tradicional em cidades pequenas como Ipuiúna: “… cê é fia de quem?”.
Dra. Rafaela: Sou filha de Silvana Maria de Lourdes, a Vanda da Geni do Zé Martelo, e neta de Sebastião Guerra das Areias. Minha mãe, uma mulher forte e determinada, enfrentou sozinha o desafio de me criar, conduzindo-me até aqui. Recebi o carinho e o afeto paterno do meu padrasto, Macarrão da oficina. Crescer em Ipuiúna, mesmo com desafios, moldou profundamente quem eu sou, e essa base simples, mas sólida, me sustentou na busca pelo sonho de me tornar médica.

JG: Um breve histórico: idade, há quantos anos atua como médica, local de formação e sua família.
Dra. Rafaela: Tenho 36 anos e sou médica dermatologista. Me formei aos 23 anos em Pouso Alegre, fiz residência e especialização em Pouso Alegre e São Paulo, e atuo na área desde então. Mudei-me para Pouso Alegre ainda criança em busca de melhores condições de estudo, e lá me formei. Sou casada com Carlos Eduardo Cobra e mãe da princesa Maria Clara, que é minha motivação diária e a concretização do meu sonho.

JG: Qual foi o motivo da sua escolha profissional?
Dra. Rafaela: Desde criança, falava que seria médica para cuidar das pessoas, enxergando a Medicina como uma forma de transformar vidas, inclusive a minha. A dermatologia me encantou pelo cuidado integral, pois não trata apenas a pele, mas a autoestima, oferecendo acolhimento e um olhar humano. Acredito que cuidar da pele é, muitas vezes, cuidar da alma das pessoas.

JG: A cidade de Ipuiúna, seus amigos e amigas, tiveram alguma influência nessa sua decisão?
Dra. Rafaela: Ipuiúna sempre foi minha primeira casa e continua sendo o lugar onde guardo as memórias mais puras da minha infância. Embora eu tenha saído cedo, a sensação de pertencimento nunca saiu de mim. Foi justamente essa lembrança do acolhimento do interior que me fez desejar uma profissão onde eu pudesse retribuir cuidado.

JG: Hoje, como é para você ser uma médica tão requisitada e, ainda, ser referência em sua cidade de origem, o que é algo tão raro?
Dra. Rafaela: É uma sensação de profunda gratidão. Ser reconhecida já é especial, mas ser lembrada por Ipuiúna, onde estão minhas raízes e minha história, tem um valor afetivo ainda maior. Para mim, não é algo “raro”, mas a prova de que, quando se unem determinação, fé e trabalho, os sonhos realmente encontram um caminho, não importa o tamanho da cidade onde você nasceu. Ser referência para Ipuiúna é, acima de tudo, uma forma de retribuir tudo o que a minha origem me deu.
JG: Quando falamos em Ipuiúna, o que vem à sua cabeça? O que ela representa para você?
Dra. Rafaela: Vêm as lembranças da minha infância, dos meus amigos, da praça e das ruas tranquilas. Da missa das crianças das 9h de domingo, da sorveteria do João, da lanchonete do Tião, da danceteria FullHouse, Oficina, Bar do Piquete, Bar da Rita, sorvete de massa de garrafa da pracinha! Pessoas que se chamam pelo nome e o cheiro de comida feita no fogão à lenha. Ipuiúna representa meu território emocional: o lugar que moldou quem eu sou.
JG: O que você deseja para Ipuiúna neste aniversário?
Dra. Rafaela: Desejo que Ipuiúna continue sendo esse lugar acolhedor, de gente simples e extraordinária. Que a cidade prospere e siga sendo um lar onde cada criança possa acreditar nos seus sonhos, mesmo diante das dificuldades. A educação, a persistência e a fé transformam vidas; é preciso investir na educação das nossas crianças. Deixo um agradecimento sincero a todos que me apoiaram ao longo da minha jornada, seja financeiramente, seja emocionalmente. Eu carrego Ipuiúna no coração porque, de muitas formas, Ipuiúna me carregou primeiro.

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