Um dos símbolos mais marcantes e importantes na história de uma nação é o seu hino. E no pequeno município de Ipuiuna, esse registro de sua história, contado por um poeta, ou poetisa, ainda está em construção. Ou, pelo menos, na parte de documentação. Essa constante mudança parece mesmo uma marca da cidade: seu eterno movimento.
Até os anos de 2009, Ipuiuna não tinha um hino oficial. Uma das peças-chaves na composição desta exaltação do território municipal em música e verso é a atual primeira-dama, advogada Cristina Melo Oliva. Sempre envolta nas questões culturais do município, e apaixonada por hinos e bandas, foi dela a ideia de musicar um poema para registrar as belezas da cidade.

Ao seu lado, outra mulher talentosa: Dona Lena, (Maria Helena Ribeiro) autodidata, autora de vários livros de poesia, foi ela quem deu o pontapé nos versos que viriam a ser aprimorados em muitas reuniões com outros parceiros, que foram se achegando à ideia. “Nós sentamos, eu, com a tia Lena, o Juscelino, (Juscelino Gomes da Silva) o Jaiminho (Jaime Gomes da Silva) e o Marcinho (Marcio Franco Pitarelo). E fomos trocando ideias. Eles, porque eu não entendo nada. Eu só ficava junto ali, dando risada”, diz com humildade a idealizadora do Hino e apaixonada por Ipuiuna.
E assim, foi indo. “Resumindo, catando uma ideia aqui, lapidando outra ali, e montamos o hino. Demos uma resumida, sem tirar a originalidade. Aí, após a letra, nós partimos para pôr música. Então, a gente ficou assim: durante um mês, quase todo dia, nós íamos na casa do Jaiminho, para eles colocarem a música. E assim foi”, como conta Cristina que, atualmente, é coordenadora do grupo da Melhor Idade, assim como na época da idealização do hino e início dos ensaios.
E foi esse grupo de pessoas mais experientes, e muito animadas, que tiveram participação importante na incorporação do hino aos hábitos da cidade. Pois foram os idosos os primeiros a apresentarem o hino. “A gente ensaiava ali na terceira idade, ensaiando para cantar. Até que, no dia 7 de setembro de 2010, a terceira idade apresentou em primeira mão, no palco da Pracinha”, conta Cristina.
Apesar da aceitação da comunidade pelo hino, Cristina lamenta que ele ainda não seja documentado, mais formalmente. Mas, algo que também está em processo, segundo ela mesma explica. “Desde que foi escrito o hino, eu estou pedindo para os vereadores o oficializarem. Aí, eu fui conversar com a Francini Corsi, e foi na hora. Ela já foi lá, já colocou para votação, para oficializar o hino. O Tunico (atual presidente da Câmara) já fez um outro pedido, através de Indicação, que em todos os eventos oficiais do município, para que o hino seja executado.
E agora, nós o gravamos em estúdio, neste mês de dezembro. E eles estão providenciando para levar para um registro, de patentes, na biblioteca nacional”, explica a primeira-dama.
No momento da gravação oficial do hino, em estúdio, infelizmente, por motivos de saúde, o primeiro interprete, Marcinho, que participou da criação da melodia, não pode estar presente. Ele foi substituído, à altura, por outro músico também sempre muito presente na vida cultural de Ipuiuna, o Eduardo, ou Du.

Mais um passo importante na reafirmação da identidade do município que tem muito mais que a batata entre suas riquezas, como o talento genuíno de grandes artistas da poesia e da música, além de uma paixão arrebatadora por sua cidade




