Congonhal se consagra como a maior festa de carreiros de Minas Gerais

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Dizem que os olhos são o espelho da alma, e quem passou por Congonhal no último domingo descobriu neles a mais pura expressão de alegria. O 35º Encontro de Carreiros da cidade não foi apenas um desfile, mas um reencontro de amigos e uma demonstração de orgulho pelos animais e pela história que carregam. O evento se consolidou definitivamente como a maior festa do gênero em Minas Gerais e a segunda maior do Brasil.

Jornadas de devoção e orgulho

Para muitos, a participação exige dias de estrada. O carreiro Dilo Ferreira é um exemplo dessa dedicação; para chegar ao evento, ele percorreu cerca de 90 quilômetros por terra. O sentimento de acolhimento é o que motiva o retorno, como explica o Sr. Antônio Alemão, vindo do bairro do Brejal, em Pouso Alegre, que viajou 18 quilômetros com sua boiada: “É a terceira vez que volto porque gostei. A turma aqui atende muito bem, os carreiros são muito bem tratados”, afirmou.

A tradição também atrai olhares de fora, como os de José Tranquilo de Oliveira Preto, morador de Bragança Paulista, que registrava tudo com sua câmera: “Tô filmando aqui a tradição para nunca mais acabar”, relatou em sua terceira visita ao desfile.

Fartura e participação feminina

A hospitalidade mineira foi traduzida em números impressionantes. Segundo a organização, foram servidos 200 kg de arroz, 30 costelas de vaca e quatro porcos no rolete, além de acompanhamentos variados servidos à vontade para milhares de pessoas.

A festa também celebrou a evolução da tradição, destacando a força das mulheres na condução das boiadas, um espaço que historicamente era dominado por homens. A primeira-dama, Roseli Coutinho, expressou sua gratidão pelo sucesso do evento: “Agradeço primeiro a Deus pela oportunidade e a todos que colaboraram. Sem o esforço de cada um, essa festa não teria acontecido tão bonita como foi”.

Herança de pai para filho

O encontro é, acima de tudo, um evento de gerações. A equipe do senhor João Libâna exemplifica essa continuidade, participando há 21 anos do desfile em Congonhal. “As crianças de 20 anos vinham no carrinho de bebê e hoje já estão aqui com os carros”, destacou um integrante da equipe, reforçando que a tradição é ensinada desde cedo.

Quando o desfile tomou a Praça Central, a emoção transbordou entre os presentes, provando que, quando o povo se une com o coração, a tradição nunca morre.

 

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