As eleições deste ano se aproximam. Os eleitores vão escolher o presidente da república, o governador de estado, dois senadores, deputados federais e estaduais. Venho acompanhando as eleições na região sul do Estado há bastante tempo e desejo oferecer alguns dados para conhecimento dos eleitores.
O voto no Sul de Minas tem sido predominantemente mais ao centro, à centro-direita e à direita para todos os cargos. Desde a eleição de 2010, os candidatos a presidente vitoriosos no Sul de Minas foram: José Serra (2010), Aécio Neves (2014), Jair Bolsonaro (2018 e 2022). Para o governo do estado: Antônio Anastasia (PSDB – 2010), Fernando Pimentel (PT – 2014), Romeu Zema (Novo – 2018 e 2022). Para o Senado, o número de votos brancos e nulos tem sido grande, com políticos de vários partidos mais ao centro e à direita eleitos. Para deputado estadual e federal, a característica mais evidente é a reeleição.
Deputados de fora do Sul de Minas têm obtido votações expressivas na região. Exemplo: Nícolas Ferreira em 2022, Mário Caixa desde 2014, Duarte Bechir em várias eleições, entre outros. Mas, considerando os que têm domicílio eleitoral na região, ou que estão muito próximos do Sul de Minas (como Lavras), a tendência observada é a repetição dos eleitos, sendo muito difícil a eleição de novatos (na eleição de 2022 – uma exceção – três novatos entraram para a Assembleia Legislativa: Dr. Maurício de Ouro Fino pelo partido Novo, Rodrigues Lopes, ex-prefeito de Andradas, pelo União Brasil e o Professor Luizinho do PT de Alfenas). O deputado Dalmo Ribeiro, do PSDB de Ouro Fino, não conseguiu se reeleger, apesar de ser um tradicional representante regional, eleito continuamente de 1998 a 2018. Maurício foi prefeito de Ouro Fino. Teve uma votação expressiva na cidade e na região. Disputou o mesmo espaço eleitoral com o deputado Dalmo. Embora a votação do Dalmo tenha sido expressiva (mais de 61 mil votos), ele não conseguiu se eleger. A surpresa foi a eleição do ex-prefeito de Andradas em razão da votação que obteve (pouco mais de 29 mil votos). A eleição do Professor Luizinho se deveu à sua projeção política na região de Alfenas e ao apoio do deputado federal pelo PT, Odair Cunha, em todo o Sul de Minas.
A votação para deputado federal e estadual é proporcional e não depende apenas do número de votos obtidos pelo candidato. É isso que explica a não reeleição do Dalmo e a eleição de Rodrigo Lopes.
Foram reeleitos para deputado federal em 2022: Odair Cunha e Emidinho Madeira (da região sudoeste de Minas) e Dimas Fabiano (do PP de Varginha). Foi eleito (pela primeira vez) o candidato Rafael Simões, ex-prefeito de Pouso Alegre. Não concorreu à reeleição o deputado Bilac Pinto, do DEM de Santa Rita do Sapucaí, chamado ao secretariado do Estado de Minas Gerais. Bilac, o “Bilaquinho”, era do mesmo espaço eleitoral de Rafael Simões. A disputa entre eles poderia inviabilizá-los, como ocorreu em Poços de Caldas com Geraldo Thadeu; em S. Sebastião do Paraíso, com Carlos Melles; e em Lavras, com Dâmina Pereira em 2018. A disputa entre dois ou mais candidatos competitivos no mesmo espaço eleitoral frequentemente inviabiliza um deles ou todos.
Todos os eleitos em 2022 para a Assembleia Legislativa buscam a reeleição. Além dos que já foram mencionados acima (Maurício, Rodrigo Lopes e Luizinho), estão no páreo: Dr. Paulo, do União Brasil de Pouso Alegre; Ulisses Gomes (PT de Itajubá); Cássio Soares (PSD de Passos); Antônio Carlos Arantes (PL de Jacuí no sudoeste de MG); Professor Cleiton (PV da região de Boa Esperança e Varginha). Eles são desafiados por candidatos que concorrem nas mesmas bases eleitorais: são os casos de Igor Tavares (PSD), Marília Amaral (PL), Pâmela Vindilino (PT) e Lívia Macedo (PCdoB), de Pouso Alegre; de Marcelo Heitor (PL) para deputado estadual; de Ulysses Guimarães (MDB) e Sérgio Azevedo (PL) para deputado federal, em Poços de Caldas.
Com exceção dos candidatos pelo PT (Odair Cunha não concorre mais em razão de sua ida para o TCU), do PV (professor Claiton) e de Dimas Fabiano (PP), partido pouco importa. Todos os demais mudaram de partido várias vezes. Exemplo: Emidinho Madeira (de Nova Resende), representante político tradicional dos agricultores da região de Guaxupé e S. Sebastião do Paraíso, já foi até do PSB!
O que conta para a reeleição dos deputados é um conjunto de fatores: partido político, votação obtida pelo partido, desafiantes no espaço eleitoral, apoios de instituições sindicais, religiosas e de classe, participação em movimentos sociais expressivos, visibilidade social, entre outros. Quero destacar dois de considerável peso. Primeiro, há grande chance de eleição de ex-prefeitos de cidades grandes e médias e bem avaliados pelo público. Boa parte das grandes cidades do Sul de Minas viveu essa experiência. Em Pouso Alegre: Simão Pedro de Toledo, João Batista Rosa, Jair Siqueira e Rafael Simões. Em Varginha: Dilzon Melo. Em Poços: Sebastião Navarro e Geraldo Thadeu. Em Alfenas: Professor Luizinho. Em Ouro Fino: Dr. Maurício. Em Três Corações: Ailton Vilela.
Segundo: a distribuição de verbas estaduais e federais nos municípios com os prefeitos assumindo a campanha do candidato. Esse é o fator mais importante. Quando eleitos pela primeira vez, os deputados obtêm a votação necessária. As exceções são raras, como no caso do deputado federal Rafael Simões de Pouso Alegre, eleito com mais de 151 mil votos em 2022. Nas eleições seguintes, no entanto, o número de votos e as cidades em que são votados se expandem. Os exemplos de Dalmo Ribeiro, Ulisses Gomes, Odair Cunha, Dr. Paulo, entre outros, são eloquentes. Depois de muitas eleições consecutivas e diante de um desafiante forte, a votação diminui, como nos casos de Dalmo Ribeiro e de Carlos Melles.
Quaisquer que sejam o partido e o candidato eleito, a forma de agir do deputado não muda. O que mais lhes interessa é a reeleição. O cargo é bem remunerado e tem prestígio social. A legislação brasileira dificulta a equidade da campanha. É difícil entrar, mas entrando, não é fácil sair. É o retrato da política e das eleições brasileiras, sujeitas a vícios enraizados e difíceis de erradicar.
Isaías Pascoal





