Ação realizada em Borda da Mata, Congonhal e Senador José Bento é investigada por exercício ilegal da profissão; municípios orientam moradores e acionam autoridades.
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Iniciativa já realizou atividades em Araçuaí, Jenipapo de Minas, Itinga, Itaobim, Coronel Murta e Berilo e tem próximas edições confirmadas em Almenara, Virgem da...
Estamos vivendo um momento importante para o Brasil. Diante das eleições que se aproximam, da economia e do cenário internacional, o poder tem sido muito testado, disputado e criticado pelos efeitos que é capaz de provocar. EUA e China, Rússia e Ucrânia, algumas armadas, outras veladas: as disputas pelo poder são antigas e muito atuais, ao mesmo tempo.
Dizem que, para conhecer verdadeiramente uma pessoa, basta dar poder a ela. Realmente, há quem ocupe um cargo simples e já se sinta dono do mundo.
Diante de acusações feitas a este veículo de comunicação por alguns vereadores da Câmara de Congonhal, quando questionamos, na edição de Agosto, o gasto excessivo dos mesmos em diárias, (cerca de R$ 160 mil em apenas 7 meses), e sem a devida prestação de contas da finalidade de tantas viagens, e após a tentativa destes mesmos vereadores de prejudicar a imagem da editora deste jornal, fomos investigar como o poder pode ser mal utilizado ou bem empregado. Um exemplo disso são câmaras de vereadores que mostram o que o poder pode alcançar quando administrado com responsabilidade e com transparência. Vimos os valores de diárias na Câmara de Santa Rita de Caldas, por exemplo. O Legislativo gastou cerca de R$ 106.000,00 com viagens de vereadores, até agosto deste ano. Mas, como na Câmara de Santa Rita de Caldas há transparência — o que significa prestar contas de forma clara para que todos vejam, foi enviado a este jornal , quando solicitado, um relatório de contabilidade. Nele, há a comprovação do retorno para a população: a aprovação de mais de R$ 3.500.000,00 em créditos para o município. Esse dinheiro garantiu veículos para a saúde e R$ 100.000,00 para o asilo local. Além disso, há uma reforma na sede do Legislativo, e reuniões itinerantes, que levam os vereadores para perto dos bairros e das necessidades reais dos moradores.
Em Santa Rita também investiram mais de R$ 36.000,00 no Parlamento Jovem, programa que ajuda a formar a consciência cidadã dos jovens. Recentemente, o estudante da Escola Rita Amélia de Carvalho, Jonas Gabriel, presidiu a plenária estadual do programa, na Assembleia Legislativa, em Belo Horizonte. Esse trabalho voltado para a comunidade gerou também a criação da Procuradoria da Mulher, um espaço de apoio para vítimas de violência.
Outro exemplo é a câmara de Caldas, que já conta com um plenário totalmente eletrônico. As despesas com diárias, na Câmara caldense somam R$ 35.600,00 até o início do mês de setembro. A sede do Poder Legislativo caldense também passa por reformas, e os vereadores trouxeram recursos federais e estaduais — por meio de emendas parlamentares, que são verbas indicadas por políticos para obras — que garantiram melhorias na pavimentação, na infraestrutura e na saúde, em parceria com o Executivo. Houve ainda uma audiência pública, que é uma reunião aberta para ouvir o povo, para questionar o serviço de água e esgoto. Embora não seja obrigação do vereador, há parlamentares engajados em promover eventos entre produtores de uva e de leite para ajudar a agricultura local. Um curso de licitação para servidores da Câmara, também foi realizado este ano, por apenas R$ 5.600,00, reunindo todos os funcionários na própria sede da Câmara de Caldas.
Em Ipuiuna, a eficiência se repete. O trabalho da Câmara gerou leis importantes para a cidade, como a criação do Centro de Referência Especializado de Assistência Social e a nova Política Municipal de Alfabetização. Além disso, formalizaram o repasse de R$ 2.400.000,00 para a Santa Casa de Misericórdia e R$ 300.000,00 para a APAE, além da criação do Fundo Municipal do Esporte e de quase R$ 18 milhões em recursos especiais já votados. São projetos concretos aprovados pelos vereadores, mesmo com as diferenças entre os grupos políticos. Mesmo assim, as diárias dos vereadores de Ipuiuna não passaram de R$ 33 mil até o momento e não foram liberadas no período eleitoral. Não é uma proibição por lei, mas uma decisão moralmente consensual, uma decisão de respeito ao momento público.
É uma conta simples de custo e benefício. Viajar com dinheiro público não é ilegal, mas até que ponto é correto não explicar claramente o objetivo dessas viagens e não prestar contas das mesmas?
Além da política, vale observar a influência do poder em líderes religiosos. Em pleno século XXI, ainda existem casos de religiosos que pedem votos abertamente para candidatos durante celebrações, usando termos pejorativos, para desqualificar quem pensam ser menos preparados. Isso demonstra o uso de influência pessoal para atender a vontades próprias, lembrando práticas antigas nas quais mandava quem tinha poder e obedecia quem tinha medo.
Como aceitar também a intolerância religiosa, que é a falta de respeito pelo credo ou religião do outro? Nem sempre é fácil conviver com o que é diferente, mas o respeito é o mínimo esperado em uma sociedade civilizada. Curioso é notar que, para aqueles que creem em uma divindade, em Jesus, principalmente, e têm a Bíblia como um manual de vida, podem atestar que em nenhuma passagem registrada pelo livro sagrado, Jesus perdeu a paciência com cobradores de impostos, romanos, leprosos ou prostitutas. Mas, o filho de Nazaré amaldiçoou e até chicoteou quem tentou fazer do templo um comércio, tamanha a convicção pra Ele de que o templo é lugar sagrado! E que ninguém é melhor que ninguém só por ser de uma determinada nacionalidade ou religião.
Há um ditado popular que afirma que “a quem muito foi dado, muito será cobrado”. Quem detém qualquer tipo de poder — seja político, religioso ou de comunicação — precisa ter cuidado com o que prega e com o que diz, pois o poder é passageiro. Na visão deste jornal, apenas Deus possui o poder de ser onipresente, onipotente e onisciente, ou seja, estar em todos os lugares, poder tudo, e saber de tudo.
Brincar com o poder como se ninguém percebesse é sinal de ingenuidade ou de vaidade excessiva. Por que não dizer, soberba!
O papel deste jornal não é aplaudir gestores nem fazer oposição por fazer, mas sim, iluminar os fatos onde tentam esconder informações. Quando portas de órgãos públicos são fechadas para a imprensa, a pergunta que fica é: o que há para esconder? Por que a recusa em explicar o uso de recursos públicos? Ou, por que dar espaço, nos altares, para somente uma ideologia?
O poder pode deslumbrar, mas os atos de cada um sempre passam pelo julgamento da história e da sociedade.
Boa leitura, e até a próxima!
Elaine Oliveira, Jornalista responsável pelo Jornal das Gerais