Ele arquitetou obras importantes para a cidade, como o Asilo e o Velório. Mas, para edificar, segundo ele mesmo diz, “é preciso oração para dar sustentação à casa”. Acompanhe a entrevista com um dos personagens mais importantes do município e saiba o que sonha e o que representa Ipuiúna na vida do Padre que, por décadas, se dedica à cidade.

  1. Jornal das Gerais: Padre, pra iniciarmos nossa entrevista, estamos sempre começando com uma pergunta muito tradicional, embora saiba que a família do senhor não seja daqui. Mas a pergunta é uma expressão muito comum entre os mineiros, buscando reconhecer o parentesco de todo mundo: “… cê é fio de quem?”
    Padre Raymundo: Theotônio Gomes de Oliveira e Luiza Maria de Oliveira. Somos 20 irmãos: 11 mortos, 9 vivos; 12 homens, 8 mulheres.
  2. JG: Um breve histórico da sua pessoa: idade, há quantos anos atua como padre, um hobbie ou o que gosta de fazer no seu tempo livre?
    Pe. Raymundo: Nasci em Cachoeira de Minas, em 9 de janeiro de 1943 (quase 83 anos). Vou fazer 45 anos de padre. Fui ordenado presbítero por Dom José D’Ângelo Neto em 20 de dezembro de 1980, em Inconfidentes. Meu primeiro ano de padre foi em Borda da Mata como auxiliar, em 1981.
  3. JG: Entre sua permanência, a primeira vez, como pároco de Ipuiúna, e agora, quantos anos residiu ou reside na cidade?
    Pe. Raymundo: De janeiro de 1982 a janeiro de 1995 fui pároco em Ipuiúna. De 1995 a 1998, pároco de Itapeva. De 1998 a 2004, pároco de Estiva. De 2004 a 2011, pároco em Senador Amaral. Em 2011 retornei a Ipuiúna. Então, de 82 a 95 + 2011 até o momento, total de quase 28 anos em Ipuiúna.
  4. JG: Se o senhor pudesse definir a cidade de Ipuiúna, como seria essa definição?
    Pe. Raymundo: Um pedaço do Céu. Naturalmente, há deficiências. Mas também o doce tem um pouquinho de sal. O sal preserva, tempera, dá sabor. Tudo faz parte.
  5. JG: Por que o senhor escolheu Ipuiúna para viver?
    Pe. Raymundo: Quando vim pra cá, eu não conhecia Ipuiúna, não tenho parentes aqui. Fui nomeado pároco por Dom José D’Ângelo. Ipuiúna hoje é minha família. Eu aprendi a amar Ipuiúna. Na minha segunda vinda, aí eu escolhi Ipuiúna. Aqui eu me sinto feliz.
  6. JG: O que motivou o senhor a se engajar em tantos projetos sociais, como a construção do Asilo, do Velório e outros que até hoje cumprem tão importante missão na comunidade, se o senhor puder citar?
    Pe. Raymundo: Eu era padre há apenas 1 ano quando vim para Ipuiúna. Foi minha primeira paróquia. Depois de conhecer o povo (generoso e de coração grande), senti valer a pena confiar, acreditar e investir em prol da comunidade. O povo daqui também acredita muito no padre, esperando que ele corresponda aos seus anseios. O padre e o povo são duas forças quando se unem. O padre tem que saber “explorar” essa poderosa arma que tem à sua disposição. É bom lembrar que, nos trabalhos assistenciais aos mais necessitados, Ipuiúna sempre se destacou por ajudar pessoas necessitadas, mesmo quando vindas de outros lugares para se estabelecerem aqui.
    Vale ressaltar o Asilo: quantas ajudas para a sua manutenção!
    Uma cidade se caracteriza como “boa”, não pelos aparatos externos (beleza, localização etc.), mas pelo seu povo. E o povo de Ipuiúna…! O padre é para servir e servir com amor. Isto também me faz feliz!
  7. JG: Com base na pergunta anterior, podemos deduzir que o senhor enxerga a Igreja como um membro ativo na sociedade, não dedicada somente à contemplação e oração, mas também à ação. Gostaria que o senhor explicasse melhor essa atuação do seu ministério.
    Pe. Raymundo: Oração e ação: duas forças gigantes. Não nos esqueçamos que a oração é que fecunda a ação. “Ação sem oração é bolha de sabão”. A oração nunca pode ser colocada em segundo plano. Ela é o diálogo amoroso nosso com Deus. Se não colocarmos Deus na retaguarda, tudo vai por terra. A oração sustenta nossa vida e nossa caminhada.
  8. JG: Quais as melhores lembranças que o senhor carrega de Ipuiúna?
    Pe. Raymundo:
    a) O apoio, a compreensão, o perdão, a presença em minha vida.
    b) A participação nas celebrações, que as torna cheias de vida.
    c) A catequese e a missa das crianças. Que saudade!…
    d) O carinho de todos pelo Lar São Vicente de Paulo (Asilo).
    e) A grande amizade (Ipuiúna é hoje a “minha família”).
  9. JG: Em contraponto, existe alguma lembrança que gostaria de apagar da memória ou algo que o senhor já viu acontecer em Ipuiúna, nestes 72 anos de história, que o entristece ou entristeceu?
    Pe. Raymundo: Apagar da memória? Não. Entrego tudo nas mãos de Deus. Ele sabe tirar o bem do mal. Ipuiúna já foi a cidade mineira mais isenta de drogas. Infelizmente… isto dói. Por isso, já fazendo parte da próxima pergunta, se houvesse condição, seria muito boa a construção de um abrigo de recuperação para jovens. Creio que seja uma utopia.
  10. JG: Se pudesse projetar algo para a comunidade ipuiunense, ou, podemos mudar a pergunta: o que o senhor pede, em suas orações, para Ipuiúna?
    Pe. Raymundo: Peço ao Senhor que faça de nós um povo unido, que Ele nos ensine a nos amar, a nos compreendermos, a nos imbuirmos deste atributo tão divino: o perdão. Enfim, que Ele nos fecunde com suas bênçãos e seu amor.

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